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Projeto Empreenda visita Cine Materna

by em Março 26, 2012

Esta semana o Projeto Empreenda visitou o Cine Materna para uma sessão de cinema com mães & seus bebes, seguida de um bate-papo descontraído sobre empreendedorismo com  estas mães que estão considerando a possibilidade de empreender.

O próprio Cine Materna é um belo exemplo de empreendedorismo. Para quem ainda não conhece a história:

 “Em um grupo de discussão pela internet sobre parto humanizado e maternidade ativa, uma mãe cinéfila declarou que sentia muita falta de ir ao cinema após o nascimento de seu primeiro filho. O grupo organizou-se e 10 mães com seus bebês – entre 20 dias e 4 meses de idade “invadiram” um cinema para a primeira sessão batizada de CineMaterna, em fevereiro de 2008.

O programa foi um sucesso, e o encontro de mães e bebês virou uma atividade semanal dessas mães, que entre amamentação e fraldas conseguiram retomar sua vida cultural e, ao mesmo tempo, conversar sobre a experiência da maternidade.

Após alguns meses, o grupo foi acolhido pela rede de cinemas, que reconhecendo o valor desta iniciativa, lançou em agosto de 2008 a estréia oficial da 1ª sessão amigável para bebês.” – Fonte: site Cine Materna.

Com o tempo, o grupo se estruturou como ONG, buscou parceiros e patrocinadores, e se espalhou pelo Brasil.

Pois bem, o bate-papo que participei nesta semana foi precedido por uma sessão do filme “A Dama de Ferro“. Filme que, por si só, já seria fonte para muitos artigos tanto aqui no Projeto Empreenda, como no Projeto Instigar, pois problematiza uma série de questões importantes relacionadas ao empreendedorismo, como também aos diversos papéis desempenhados por uma mulher no decorrer da sua vida adulta.

É impossível reproduzir aqui toda a riqueza da discussão realizada, mas destaco os principais pontos que foram escolhidos como pauta do bate-papo por estas mães (futuras) empreendedoras:

  • Fator determinação

Independente de se estar empreendendo seu próprio negócio, ou uma carreira política (como foi o caso de Margareth Tatcher), este é um fator absolutamente fundamental para suportar as inevitávies adversidades que se apresentam durante o processo de empreender.

Sob o ponto de vista psicanalítico, entra aqui em questão não somente a capacidade de entrar em contato com o próprio desejo, como também a capacidade de “bancar” o próprio desejo. Não me refiro a “bancar financeiramente”, mas sim bancar subjetivamente o próprio desejo, pois, inevitavemente o tempo colocará em evidência os “custos subjetivos” desta aposta…

  • Qual é o tempo adequado para o retorno ao trabalho?

Independentemente se a escolha de retorno ao trabalho é através do empreendedorismo ou de um emprego tradicional… (E aqui também se coloca em questão o que significa trabalho… pois, cuidar de um bebê recém nascido, também não é um trabalho?) – Mas  consideremos a questão como: “qual é o tempo adequado para o retorno ao trabalho remunerado?

Assim como o processo de gestação determina um tempo cronológico necessário para a formação biológica do bebê, e a  formação dos primeiros laços afetivos entre esta futura mãe e seu bebê; há que se criar também um processo de “gestação do retorno ao trabalho remunerado”.

O retorno ao trabalho não pode ser realizado abruptamente.

É necessário um processo de preparação subjetiva desta mãe, para que tenha condições de permanecer sem sofrimento longe do seu bebê, por horas a fio envolvida em atividades relacionadas ao trabalho.  Preparação subjetiva para que esta mãe estabeleça uma relação de real confiança com a equipe de cuidadores do seu bebê; para que esta mãe admita que o seu bebê pode sobreviver saudavelmente sem a sua presença, quando sob os cuidados desta equipe de apoio; para que esta mãe consiga estar presente, de corpo & alma, no seu trabalho, sem estar internamente com a atenção dividida entre o próprio trabalho e as preocupações em relação ao bebê. Há também os casos de mães que quebram este estereótipo, e secretamente já desejam há muito tempo estar longe do seu bebê…  mas mesmo assim não se permitem retornar ao trabalho, porque sentem-se culpadas por terem este sentimento, e vergonha de conversar a respeito dele com as pessoas mais próximas. Nestes casos, a preparção subjetiva passa por aliviar esta auto-cobrança…

Em resumo, este tempo de gestação do retorno ao trabalho, é um processo de autorização interna para que este movimento possa ocorrer de forma tranquila. Sem dúvida este “tempo” (que não é cronológico), é determinado individualmente por cada mãe.

  • Será que o empreendedorismo é a melhor opção para o retorno ao trabalho?

Na percepção de muitas mulheres, o empreendedorismo apresenta-se como uma alternativa em função do mercado de trabalho ainda ser muito cruel com as mães que retornam da licença maternidade.

Mas até que ponto esta realidade de mercado não é amplificada pelas próprias mães, que são muito rigorosas em auto-cobranças relacionadas a “apresentar resultados rápidos” neste retorno ao trabalho?

Para aquelas que escolhem retornar ao mercado de trabalho tradicional, um dos insights saudáveis que brotaram do bate-papo com o Cine Materna é que este retorno pode ser realizado de forma gradual.  Em vez de retornar com energia total, resgatando “todas” as suas atividades anteriores à gravidez com o objetivo de provar que está profissionalmente 100% apta novamente, propor-se a ir assumindo as responsabilidades de trabalho aos poucos… de acordo com as demandas dos seus próprios colegas de trabalho.

Para aquelas que escolhem investir no empreendedorismo como uma alternativa de retorno à produção de trabalho remunerado, é importante quebrar algumas ilusões e se conscientizar que: não necessariamente é “mais fácil” empreender, uma vez que o novo empreendimento é quase como um bebê recém nascido, que para crescer também exigirá cuidados como atenção (planejamento), dedicação (realização) e alimentação (investimentos). A vantagem é que é a própria mãe-empreendedora que decide o volume de recursos  que está disponível a investir no seu processo de empreender, desta forma tendo a possibilidade de balancear de forma saudável o tempo investido no seu bebê e no seu retorno ao trabalho.

O que não necessariamente precisa ser feito de forma solitária…

O site Companhia das Mães é um bom exemplo de empreendedorismo que nasceu de duas mães inquietas, uma jornalista e outra advogada, ambas desejosas de retornar ao trabalho remunerado após a gravidez, porém de uma forma transformada. Não só pensando nos seus próprios desejos e necessidades, criaram um ecossistema que permite este resgate da produção remunerada também para outras mães-empreendedoras.

Para encerrar este artigo, fiquei pensando na queixa de duas mães que participaram do bate-papo do Cine Materna. Ambas publicitárias, comentaram que hoje não tem a mínima disponibilidade de retomar aos seus trabalhos antigos, em função do ritmo insano que exige constatemente que os profissionais de publicidade trabalhem até às 2 ou 4 horas da manhã com muita frequencia, em função do volume de trabalho e dos prazos apertados.

Será que, assim como o Cine Materna e a Companhia das Mães, não estará aí uma oportunidade interessate para se empreender uma empresa “Publicidade Materna“, que empregaria apenas mães publicitárias, respeitando o peculiar ritmo materno?

Quando lancei esta questão para o grupo, percebi uma forte resistência à esta possibilidade, pois, segundo elas o mercado publicitário tem as suas próprias regras que não comportam ritmos diferentes do “insano”…  Mas… não será a hora de quebrar este paradigma? Assim como Margareth Tatcher quebrou ao ser a primeira mulher a ingressar no parlamento inglês?

Cuide-se! E empreenda!

Débora Andrade

Psicanalista

From → Insights

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